quinta-feira, 18 de julho de 2013

GOVERNO SUSPEITA DE SABOTAGEM NAS INSCRIÇÕES DO PROGRAMA "MAIS MÉDICOS"

 

Profissionais, que são contra o programa, estariam se cadastrando, mesmo sem interesse, apenas para perturbar

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (18) que vai criar nova regra para inscrição no Mais Médicos, que pretende levar profissionais para cidades do interior do País. Agora os interessados, que estiverem fazendo residência, vão ter que informar, já no ato de inscrição, se estão dispostos a desistir destes postos para aderir ao Mais Médicos. 

A ideia surgiu depois do governo federal suspeitar que profissionais, que são contra o programa, estavam se cadastrando, mesmo sem interesse, apenas para perturbar o processo. Isso porque o número de inscritos alcançou 11,7 mil candidatos, enquanto que o número de vagas oferecidas é de 10,4 mil, bem acima do esperado.
Ao homologar sua participação no programa, o médico terá de entregar declaração impressa de seu desligamento da residência médica ou do Programa de Valorização da Atenção Básica (Provab), emitido pela coordenação dos programas. A medida visa certificar a real intenção dos profissionais a participar do Mais Médicos.

“O primeiro interesse que tem que ser atendido é o interesse da população, sobretudo aquela que não tem médicos perto de onde vive e trabalha. Estamos estimulando os médicos brasileiros a participar do programa, mas não queremos ninguém que esteja fazendo qualquer tipo de sabotagem para atrasar um programa que visa oferecer médicos para a população”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Além disso, médicos que homologarem sua participação do projeto e não comparecerem no início das atividades ou desistirem nos primeiros seis meses serão excluídos do programa e só poderão se inscrever novamente seis meses depois. Os reincidentes ficarão impossibilitados em caráter definitivo de voltar a participar do programa. A inclusão desta regra no edital será publicada no Diário Oficial nesta sexta-feira (19).

O número acima do esperado pelo Ministério da Saúde levou o ministro Alexandre Padilha a determinar que a Ouvidoria do órgão telefone a todos os candidatos que já têm algum outro tipo de vínculo empregatício para checar a veracidade do interesse pelo programa.

Pelo Mais Médicos, o ministério pretende pagar salários de R$ 10 mil. E colocá-los em cidades que hoje têm vagas sobrando e não conseguem contratar ninguém. As prioridades são cidades do interior - hoje 700 municípios não possuem nenhum médico - e as periferias das grandes cidades, onde há infraestrutura mas não há profissionais.

A prioridade é para profissionais brasileiros interessados no programa, mas o governo prevê a contratação de estrangeiros para suprir as vagas não preenchidas por médicos nacionais, sem a necessidade de validação do diploma. Os estrangeiros fariam um curso simplificado de adaptação para que pudessem trabalhar apenas nos locais indicados pelo governo brasileiro.

O programa enfrenta enorme resistência da classe médica, contrária especialmente à contratação de estrangeiros. Apesar do Brasil ter apenas 1,8 médicos para cada mil habitantes - e a maioria concentrados nas regiões sul e sudeste - alega que o problema da saúde no País é infraestrutura e não falta de profissionais especializados.

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