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domingo, 16 de junho de 2013

AGRICULTURA FAMILIAR É A MAIS AFETADA PELAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

 

Os agricultores familiares são os produtores agrícolas mais intensamente afetados pelas mudanças do clima, como a alteração do ciclo das chuvas e o aumento das temperaturas causado pelo efeito estufa, informou o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Eduardo Assad, um dos palestrantes do seminário Caminhos para uma Agricultura Familiar sob Bases Ecológicas: Produzindo com Baixa Emissão de Carbono, que terminou na última sexta-feira (14), na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O evento discutiu as formas de produção agrícola familiar de forma sustentável nos diversos biomas brasileiros.

Sobre os efeitos do clima na produção agrícola, o pesquisador da Embrapa, Eduardo Assad, explicou que a chuva é um dos fatores mais importantes. No caso do Brasil, a
quantidade total de chuvas não tem tido alterações, mas a intensidade das precipitações, sim. Isso resulta no aumento da erosão, na perda de fertilizantes e em inundações de áreas produtivas - como em áreas ribeirinhas, ocupadas, principalmente, por pequenos produtores.

Assad também explicou que, em relação ao aumento das temperaturas, deverá haver uma mudança na geografia das produções agrícolas no Brasil, com o deslocamento de algumas plantações para o sul, onde o clima é mais ameno. No caso dos agricultores familiares, esse deslocamento ocorre em menor escala, pois a maioria das famílias está fixada em local determinado. Para elas, portanto, o prejuízo é mais intenso - também por ser, em muitos casos, a única fonte de subsistência.

Culturas

Os exemplos de prejuízos são as produções de laranja e do café. Picos de temperatura, tanto para o quente quanto para o frio, alteram a floração da lavoura - o que faz com que as frutas e os grãos percam qualidade.

Para tentar minimizar os impactos do clima sobre a produção agrícola familiar, Assad citou o Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que propõe ações que minimizem as emissões de gases causadores do efeito estufa. Essas medidas têm o objetivo de evitar e, sobretudo, não intensificar os problemas já existentes, decorrentes das mudanças climáticas. O programa tem vigência de 2010 a 2020 e oferece linhas de crédito.

Para o pesquisador, o programa parte da adoção de sistemas agrícolas (aplicação de técnicas e tecnologias), que podem ser conduzidos tanto por agricultores empresariais quanto por familiares - variando a escala das iniciativas.

Segundo ele, no caso da agricultura familiar, é importante a participação de atores estratégicos, no sentido de conscientizar as famílias para a adoção desses sistemas. Entre esses atores estão cooperativas (só de grão, carnes e leite são mais de 900 no Brasil), produtores de sementes (mais de 700 entrepostos), postos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Aters) e universidades com cursos de ciências agrárias (atualmente, há mais de 400, considerando zootecnia e medicina veterinária).
Fonte: Tribuna do Norte

quarta-feira, 8 de maio de 2013

AGRICULTORES FAMILIARES FARÃO PROTESTO EM NATAL

Cerca de 1.800 agricultores familiares de 50 municípios de várias regiões do Estado – Oeste, Seridó, Mato Grande, Potengi, Trairi e Área Canavieira – são esperados em Natal nesta quinta-feira (09). Eles vão se concentrar a partir das 8h em frente à Central de Comercialização da Agricultura Familiar localizada na esquina da Rua Jaguarari e Avenida Mor Gouveia, no bairro de Lagoa Nova. No local, farão um ato público contra a Central ter sido construída há três anos e nunca ter aberto para a venda dos produtos deles. Em seguida, às 10h, seguirão em caminhada até a Governadoria, onde pretendem ser recebidos pela governadora Rosalba Ciarlini. Eles vão apresentar ao Governo uma pauta de ações para o convívio com a estiagem.

Entre as reivindicações está a perfuração de 550 poços tubulares e recuperação de outros 250; implantação de tecnologias para o armazenamento de água para a produção da agricultura familiar, como barreiro trincheira lonado, barragem subterrânea, cisterna calçadão, cisterna de enxurrada e bomba popular. Que o Governo viabilize assessoria gerencial, técnica e pedagógica aos agricultores familiares que são beneficiados pelos PAIS (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável) e por outras tecnologias de convivência com o semi-árido; que sejam distribuídas 20 mil toneladas de milho entre os agricultores para que sirvam de ração para o gado; que o Governo reponha o rebanho perdido durante o período da estiagem e crie a Secretaria Estadual da Agricultura Familiar para prestar atenção especial aos pequenos produtores.

Segundo o coordenador geral da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do RN (FETRAF-RN), João Cabral, as chuvas que têm caído aliviam a situação, mas não resolvem os prejuízos contabilizados pelos pequenos agricultores, que perderam o gado e a plantação por causa da seca. “Todos sabemos que a cada oito a 10 anos, enfrentamos uma grande seca, então, precisamos nos preparar para esse convívio com a estiagem, nos prevenindo para os períodos sem chuva: necessitamos de providências imediatas e a médio e longo prazos”, aponta Cabral.
Jornal de Hoje