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quarta-feira, 19 de junho de 2013

ANÁLISE SUPER NECESSÁRIA: QUAL DESFECHO OS PROTESTOS VÃO PRODUZIR?


 
A extrema esquerda sonha com a revolução socialista, enquanto a direita quer derrubar a Dilma na marra.

Na quarta-feira 18, quase 30 anos depois do memorável primeiro comício das Diretas Já, voltei à Praça da Sé. Naquele 25 de janeiro de 1984, todas os mais de 500 mil manifestantes que estavam lá no comício (chamado pelo Jornal Nacional da TV Globo de "festa" pela comemoração do aniversário de São Paulo) queriam a mesma coisa: o fim da Ditadura com a realização de eleições diretas para Presidente da República.

Ao voltar lá encontrei uma maioria de jovens estudantes idealistas, em grande parte organizados pelo Psol, PSTU, Partido da Causa Operária, Partido Comunista Operário, União da Juventude Socialista, entre outros. Esses estudantes gritavam pela revogação do aumento da tarifa, contra a Rede Globo, o Datena, o governo (qual?), a Copa, o Haddad e por uma revolução socialista.

Os manifestantes de classe média preferem levar cartazes contra Dilma. Com o apoio da elite anti-PT nas redes sociais, querem derrubar Dilma e também cancelar a Copa. Enquanto bares, lojas e restaurantes do entorno da Praça da Sé fecham freneticamente as suas portas, seus empregados se juntam aos demais trabalhadores do centro, em apressados passos para os ônibus e metrô, para tentar chegar em casa, depois de mais um dia exaustivo de trabalho.

Chegam cada vez mais manifestantes. Bandeiras de partidos são baixadas no grito. Só a do Brasil pode tremular sob aplausos. Homens mais velhos e mais bem vestidos distribuem, às centenas, panfletos, em papel de boa qualidade conclamando empresários a boicotarem o pagamento de impostos. Outros estudantes gritam palavras de ordem contra os donos das empresas de transporte coletivo. Muitos gritam contra a corrupção dos políticos. Não se veem PMs. Uma parte da manifestação vai para a frente da Prefeitura. A principio, em paz . Mas um grupo comandado por um "parrudo" rapaz de camisa branca, mais bem vestido, cabelo bem cortado e máscara contra gás novinha começa o ataque à Prefeitura. Entre pedradas, chutes, tiros de rojão desferidos por ele, o rapaz de vez em quando para e fala ao telefone. E chama mais mascarados para o ataque. Seria um provocador de direita querendo ver o circo pegar fogo? Logo depois botam fogo de verdade, em um caminhão de transmissão ao vivo da Record.

Mesmo assim muitos jornalistas das tevês, rádios e jornais elogiam a manifestação. Engraçado, em 62 anos de vida não me lembro de ter visto cobertura de manifestação política do povo, tão divulgada e elogiada pela imprensa brasileira! Os mais velhos me dizem que na Marcha com Deus pela Liberdade em 64 foi assim. Naquela época eu só tinha 14 anos e não compareci. Mesmo se tivesse mais idade, não iria. Ela acabou deflagrando o Golpe de 64 e uma Ditadura horrorosa que atrasou o Brasil e durou mais de 20 anos. Com a extrema esquerda sonhando com uma revolução socialista e com a direita querendo, na marra, derrubar a Dilma e conseguir o que ela não consegue nas urnas, não sei onde tudo isso vai parar.

Espero que não seja em outro Golpe como em 64. Entre a Marcha de 64 e as manifestações de hoje, eu prefiro a das Diretas Já em 1984. Lá éramos mais numerosos e todos sabiam o que queriam e não escondiam de ninguém: o direito de, no voto, decidir o nosso destino! Como numa democracia!
por Chico Mafiltani publicado 19/06/2013 13:56 CARTA CAPITAL

IMPRENSA INTERNACIONAL DESTACA NATAL COMO PIONEIRA NOS PROTESTOS PELO BRASIL


 
Com os olhos voltados ao país devido à proximidade da Copa do Mundo e realização da Copa das Confederações, o Brasil ganhou as manchetes dos principais veículos de comunicação do mundo nesta terça-feira (18), após as manifestações populares em 12 capitais do país, além do Distrito Federal. Natal, que não teve movimentações ontem (17), foi lembrada como o local de onde começaram as mobilizações atuais.

O Ney York Times, dos Estados Unidos, destacou que milhares de pessoas ganharam as ruas em protestos nas maiores cidades do país. A publicação enfatizou as mobilizações em São Paulo como "tranquilas", relatou a ocupação do Congresso Nacional, em Brasília, mas destacou que no Rio de Janeiro houve tumultos, citando a tentativa de invasão à Assembleia Legislativa do Estado.
 
New York Times destacou que protestos começaram em Natal. Le Monde e El País foram alguns dos que destacaram manifestações no Brasil
Ainda no NYT, Natal é citada como pioneira nas revoltas populares recentes. O jornal não falou sobre os protestos do ano passado, quando manifestantes cobraram a saída da então prefeita Micarla de Sousa e também a redução da tarifa de ônibus. 

"Protestos similares (aos de ontem) emergiram em maio, em Natal, uma cidade no nordeste do Brasil, e, neste mês, em São Paulo, após as autoridades majorarem o preço das passagens de ônibus", disse a publicação.

O Le Monde, da França, também destacou os protestos no Brasil. A publicação citou os "gastos exorbitantes" na preparação para a Copa do Mundo e Jogos Olímpicos como foco principal dos protestos, além da cobrança por saúde e educação. A publicação francesa comparou a mobilização brasileira às que ocorreram na Turquia e disse que as redes sociais contribuíram para a organização dos protestos, assim como na rápida propagação de imagens dos protestos.

No site do espanhol El País (elpais.com), os protestos no Brasil ganharam um destaque contínuo na parte superior da página principal, além da manchete, que destacou o valor histórico dos protestos. "A subida do transporte se voltou como pretexto para lutar por uma sociedade mais justa. Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de São Paulo de forma pacífica, enquanto o Rio viveu uma noite com problemas", disse a publicação.

Os protestos continuam hoje pelo país. Em Natal, haverá uma plenária para discutir como será realizado o protesto agendado para a quinta-feira (20). O encontro entre os manifestantes ocorre às 17h, no Centro de Convivência da UFRN
TRIBUNA DO NORTE