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terça-feira, 9 de julho de 2013

ALUNOS DE MEDICINA DEVERÃO PASSAR 2 ANOS NO SUS


 



Regra vale para alunos que ingressarem em faculdades públicas ou particulares a partir de 2015

O curso de Medicina passará de 6 para 8 anos a partir de 2015. Os alunos que ingressarem nos cursos de medicina a partir de 2015 terão que atuar dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS) para receber o diploma. A medida é válida para faculdades públicas e privadas e faz parte do programa Mais Médicos, anunciado pela presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira (8).
Programa Mais Médicos: 

Concluído o curso de seis anos, os estudantes irão trabalhar na atenção básica e nos serviços de urgência e emergência da rede pública. A exigência do segundo ciclo será universal: tanto para estudantes de instituições da rede pública quanto privada de ensino.

No período em que trabalharem nos serviços públicos de saúde, estudantes receberão uma bolsa, financiada pelo Ministério da Saúde. Os valores ainda não foram definidos. O governo calcula, no entanto, que ela ficará entre o que é concedido para as residências médicas (R$ 2,9 mil mensais) e o que é pago para profissionais inscritos no Provab (R$ 8 mil).
No primeiro ano, estudantes vão atuar na rede de atenção básica. No segundo ano, o trabalho será feito nos serviços de urgência e emergência. Os alunos continuarão vinculados à instituição de ensino onde foi feita a graduação e, assim como ocorre com a residência, serão avaliados. A carga horária ainda não foi definida.

Pela proposta, o segundo ciclo poderá ser aproveitado para abater um ano de curso de residência em especialidades básicas, como medicina de família, ginecologia, obstetrícia, pediatria e cirurgia geral. Há também a possibilidade de o período ser incluído na contagem para cursos de mestrado. A forma como isso será feito também está nas mãos do Conselho Nacional de Educação.

O formato de oito anos poderá ser revisto num curto prazo. Há a possibilidade de o primeiro ciclo, atualmente de seis anos, ser reduzido para cinco. O assunto, no entanto, ainda terá de ser debatido pelo Conselho Nacional de Educação. A intenção é se aproximar do modelo inglês, onde a duração do primeiro ciclo varia entre 4 a 6 anos, treinamento supervisionado dura outros dois anos e a especialidade médica, 3 a 8 anos.

Para atuar no segundo ciclo, os alunos receberão um registro provisório. A instituição de ensino deverá estar ligada a uma rede de serviços públicos de saúde, onde seus alunos vão desempenhar as atividades. Caberá à instituição definir o local de trabalho do estudante.

A ideia é que o aluno seja supervisionado por professores. A forma como isso será feito também será definida pelo Conselho Nacional de Educação. Também não está acertado como será feito o reembolso das instituições de ensino pelo trabalho de supervisão.

O aluno receberá o diploma somente depois de completar os oito anos de formação. Só aí receberá a inscrição permanente. De acordo com o Ministério da Saúde, o modelo proposto prevê que o profissional com registro provisório, mesmo sem diploma, responderá caso cometa uma infração ética ou erro no atendimento do paciente.

A criação do segundo ciclo não vai dispensar o internato, realizado atualmente no quinto e sexto ano. Nesta etapa, o estudante não tem autonomia. Durante o treinamento da segunda etapa, o estudante aos poucos ganha mais autonomia.

A expansão da duração do curso de medicina, de acordo com o governo, não tem como objetivo principal a ampliação da oferta de médicos. A meta, de acordo com ministérios da Saúde e da Educação, é ampliar a formação do profissional e driblar um problema que o governo julga enfrentar atualmente, que é a especialização precoce. Na avaliação do governo, a partir do 4º ano, estudantes concentram suas atenção nas áreas com que têm mais afinidade, deixando de lado pontos considerados essenciais para o atendimento do paciente.

Com a mudança nos currículos, a estimativa é a entrada de 20,5 mil médicos na atenção básica. "Esse aumento será sentido a partir de 2022, quando os médicos estarão formados", disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

sábado, 18 de maio de 2013

PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA TEM DÉFICIT DE SEIS MIL PROFISSIONAIS MÉDICOS

 
O grande desafio do Programa Saúde da Família (PSF) é a falta de médicos. Em todo o País, o déficit é de aproximadamente seis mil profissionais.


Para tentar suprir essa defasagem, várias estratégias estão sendo criadas, uma delas é o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), do governo federal. O programa, que chega à sua segunda edição, saltou de 381 profissionais inscritos na edição 2012, para 3.800 neste ano, atuando em 1.291 municípios. Eles atendem nas periferias dos grandes centros metropolitanos, no interior do País e em áreas remotas.

O Ceará é o estado do Nordeste com maior número de participantes no Provab: 691 profissionais, em 141 municípios. No Maranhão, são 152 médicos em 48 municípios; na Paraíba 191 em 65 municípios e no Piauí, 117 profissionais em 50 municípios.

Odorico Monteiro, secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde destaca que, cada vez, o programa ganha mais credibilidade entre os profissionais. Cada um recebe bolsa mensal de R$ 8 mil e deve cumprir 32 horas semanais de atividades práticas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), além de 8h semanais de curso de pós-graduação em Saúde da Família, com duração de 12 meses.

"Eles estão em um sistema de trabalho e, ao mesmo tempo, são estudantes. No fim do curso, de um ano, recebem o título de especialista em saúde da família e depois têm essa experiência como bônus para a residência médica. É importante entender que o Ministério da Saúde está apostando na melhoria da qualidade", ressalta Monteiro.

A falta de profissionais é o grande desafio que o sistema enfrenta. A situação é delicada. Prova disso é que no Brasil, a proporção é de 1,8 médicos para cada mil habitantes. Enquanto na Argentina, por exemplo, são 3,2 para cada mil habitantes.

"É um problema que se insere não só na saúde da família, mas também em outras especialidades", adverte Monteiro. Na visão do secretário, não é a falta de concurso público e nem de plano de cargos, carreiras e salários que gera esse déficit, o problema é a falta de médicos.
LUANA LIMADiário do Nordeste