Carlos Costa
A Rede Vert Hotéis, que trabalha com os hotéis Ramada, do grupo
Wyndham, maior empresa do mundo no setor, está negociando “futuras
instalações” em cidades do interior do Nordeste e incluiu Mossoró, no
Rio Grande do Norte, na rota de possíveis investimentos. O anúncio foi
feito durante o Brasil Hospitality Investment Conference, evento
realizado nos dias 13 e 14 no hotel Tivoli Mofarrej (SP).
O
primeiro dos contratos fechados para instalação de hotel fora do Sudeste
foi o Ancore em Petrolina, distante 721 km de Recife, com 124 quartos e
investimento em torno dos R$ 10 milhões. Há negociações para futuras
instalações em Suape, na cidade do Cabo de Santo Agostinho, também em
Pernambuco; Itabun,a na Bahia; Mossoró no Rio Grande do Norte e
Arapiraca, em Alagoas.
Carlos CostaMossoró, no Rio Grande do Norte: cidade recebeu uma unidade com bandeira Ibis e está no radar também da Rede Vert Hotéis
Essa não é, porém, a única rede que está apostando nas chamadas cidades secundárias. A rede Accor, com 176 hotéis em
funcionamento
no Brasil, está presente em todas as capitais e muitas cidades do
interior do Nordeste: já são 25 hotéis em funcionamento e outros 25 em
fase de instalação.
Este ano, a rede inaugurou uma unidade Ibis
em Mossoró, e até o fim de 2013, planeja abrir o Ibis Vitória da
Conquista, na Bahia. Em 2014, a expectativa é colocar em funcionamento o
Ibis Imperatriz e Ibis Bacabal, ambos no Maranhão. O Investimento da
rede no Nordeste para os próximos três anos será próximo a R$ 1 bilhão
gerando algo em torno de 2 mil empregos.
Crescimento
Em
alguns estados, o crescimento das chamadas cidades secundárias deixa
pra trás as capitais, como é o caso de Juazeiro do Norte, no Ceará, que
cresceu 32% em 2012, enquanto a capital, Fortaleza, cresceu 30%, de
acordo com dados levantados pela empresa de pesquisa mercadológica,
DataStore.
Por outro lado, o avanço do contingente populacional e
econômico não tem sido acompanhado pela oferta de hotéis. O público,
cada vez mais exigente, tem que, na maioria das vezes, se contentar com
empresas familiares e hotéis e pousadas improvisados.
Em pesquisa
realizada pela universidade de São Paulo, constatou-se que 75% dos
hotéis das cidades secundárias tem gestão familiar, enquanto apenas 25% é
gerenciada por redes de hotelaria. Falta de profissionalização aliada a
carência de mão de obra são alguns dos entraves do setor.
“Com a melhoria da renda
da população, aumento do poder aquisitivo, a força de trabalho que
antes seria potencialmente atuante no setor de hotelaria, está migrando
paulatinamente”, afirma Amilcar Mielmiczuk, diretor-financeiro Da Vert
Hotéis.
Os espaços de formação de mão de obra estão
prioritariamente qualificando para o setor de tecnologia, além disso, a
velha cultura do movimento migratório de estados mais pobres em busca de
trabalho nos grandes centros urbanos se inverteu ou diminuiu. “Há
trabalhadores do Sudeste retornando aos seus estados de origem por conta
do boom econômico que toma a região”, diz. Busca-se mais qualificação e
melhores empregos.
Apesar do crescimento, 104 milhões de pessoas
no Brasil ainda ocupam a base da pirâmide econômico-social. Por isso,
há a preferência das redes por inaugurarem nestas cidades, hotéis de
baixo e médio custo.
O Brasil Hospitality Investment
Conferencefoi realizado pela Questex Hospitality + Travel e marcou o
inicio das operações da Questex no Brasil .
Fonte: tribuna do Norte